Rádio Iracema de Fortaleza










 Em 1 de agosto de 1945 foi constituída uma sociedade por José Barreto Parente, Flavio Barreto Parente, José Josino da Costa e mais 22 personalidades com o objetivo de criar uma emissora de rádio. A concretização ocorreu aos 9 de outubro de 1948, às 16. h, quando foi inaugurada pelos irmãos José e Flávio Barreto Parente a “Rádio Iracema de FortalezaZYR-7, cujo estúdio passou a funcionar no 2º andar do Edifício Vitória na Rua Guilherme Rocha, esquina com a Rua Barão do Rio Branco, no centro de Fortaleza em uma sala outrora ocupada pelo Partido Comunista do Brasil. Na entrada existia uma larga e bonita escada de degraus e corrimão com balaustres de madeira. O espetáculo inaugural realizado na Praça José de Alencar contou com apresentação de César de Alencar, cearense masque atuava na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e fizeram-se presentes: Luiz Gonzaga “O Rei do Baião”, Heleninha Costa, Ruy Rey e sua orquestra, dentre outros.
A estação transmissora com equipamento da S/A Phillips do Brasil passou a irradiar das dunas do bairro Urubu que, com a urbanização futura, se denominaria Rua Alberto de Oliveira nº. 140, no Jardim Petrópolis (atual Colônia). Tinha 10 KW de potência e uma torre de 82 metros, num terreno que ao lado passava o ramal ferroviário da Barra do ceará. José Josino Costa foi o locutor da abertura, e nos transmissores segurando a modulação o Sr. Osmar Castro.



 A Iracema fez ponte com os cantores da Rádio Tupy, com “Astros” e “Estrelas” da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Devido o “Roof-Garden”, ou seja, um auditório ao ar livre no terrace (Terraço) do Edifício Vitória, a emissora da índia recebeu o slogan de “A mais popular”. O palco era coberto, porém a platéia fica a céu aberto, inclusive com mesas onde os freqüentadores assistiam aos “Shows” tomando wisky, cerveja, refrigerantes etc. Era chamada a “Turma da Caixa d’água” os que ocupavam a caixa d’água do prédio.
Nos primeiros tempos o “Cast” era: Paulo Lopes Filho, Peixoto Alencar, Antonio de Almeida: No departamento esportivo Barbosa Filho e discotecário Hirano Meireles.
Em março de 1949 Armando Vasconcelos foi contratado, e fundou o departamento de jornais falados e reportagens e, também o “Grande Jornal Sonoro Iracema”. Armando era o seu redator e locutor. Esses jornalísticos foram consolidados devidos sua experiência, haja vista, Armando na época trabalhar no jornal “O Estado”. A parte de entretenimento ficou com Irapuan Lima que em estilo Chacrinha, animava as platéias com o programa “Rádio-Baile” nas Noites de sábados, e a “Garotada se Diverte”. O sonoplasta fazia efeitos, o que confundia os ouvintes que imaginavam tratar-se da retransmissão de uma animada festa de clube.
Em 1951 foi criado a Rede Iracemista pelos irmãos Parentes, e assim sendo aos 15 de novembro do mesmo 51 surgiu a Rádio Iracema de Juazeiro do Norte e um ano e sete dias após (22/11/52) apareceu a Iracema de Sobral, seguindo-se a de Iguatú. A Iracema de Maranguape seria inaugurada aos 15 de agosto de 1959, com os transmissores instalados no distrito de Taquara. Ainda no mesmo 1952, José Josino Costa foi substituído por José Pessoa de Araújo, de quem saiu o projeto do Edifício Guarany, na Praça José de Alencar em local privilegiado.
A pedra fundamental do edifício próprio da Rádio Iracema, fora lançada em 10 de dezembro de 1952 na Rua 24 de maio nº. 554 (Praça José de Alencar), contando o evento com as presenças de Raul Barbosa (Governador do Ceará), Paulo Cabral de Araújo (Radialista e Prefeito de Fortaleza), Henrique de La Roque (Presidente do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários - IAPC) e de José Barreto Parente (Diretor da Emissora). O IAPC foi o financiador deste novo empreendimento.
Na data precisa de seis anos de fundação (9-10-1954) a emissora recebeu de presente o majestoso “Edifício Guarany” com seus três andares e no subsolo um restaurante. No primeiro andar além da recepção, tinha o escritório de publicidade do locutor Irapuan Lima; No segundo andar a sala da direção artística e a discoteca; No terceiro era o auditório e o estúdio.
José Parente Diretor-presidente da Rede Iracemista, lançou nas mãos de Armando Vasconcelos para inaugurar no atapetado auditório, o programa “Fim de Semana na Taba”, cuja primeira audição foi ao ar no dia da proclamação da República de 1954. Esse semanário era apresentado todos os domingos das 20 às 23 h, com auditório lotado e os homens em traje de passeio completo. Era cognominado “Programa Milionário do Rádio Cearense”, ou “Programa da Elite”. Distribuía prêmios de valor em suas muitas promoções e concursos. Eram até mesmo sorteadas viagens aéreas para Paris (França).
No concurso Miss Ceará, que nos anos 50 era uma promoção dos Diários Associados, a miss eleita comparecia ao “Fim de Semana” no programa seguinte à sua eleição.
Em 1958, o time do Bota Fogo do Rio, após o Brasil conquistar o primeiro campeonato mundial de Futebol, veio jogar aqui em Fortaleza com o Usina ceará (Dia 29 de Junho, placar 3x1 pro Bota), e toda delegação alvinegra carioca, fora recebida com aplausos os mais efusivos, no auditório da ZYR7, dentre eles os campeões Newton Santos, Garrincha, Didi e Zagalo.
O “Fim de Semana na Taba” que esteve sob o comando do animador Armando Vasconcelos de 1954/1958; foi passado as mãos de Eduardo Fernandes (Dudu), o qual por sua vez em 1963 transferiu para o cantor e radialista José Lisboa. Os cantores que abrilhantaram os microfones do FST, dentre tantos se destacaram: Zuila Aquiles com textos de Carlos D’álge, Vera Lucia, Salete Dias, Lúcia Elizabeth, Ayla Maria, Ivanilde Rodrigues, Celina Maria, Terezinha Nogueira, e o Solteiro. A grande locutora “Lady-speacker” foi Orlys Vasconcelos.







 Os locutores dessa fase de ouro eram: Mattos Dourado, Eduardo Fernandes, Tarcísio Tavares, Edmundo Vitoriano (Assombração), Alan Neto, Haroldo Serra, José Lisboa, Terezinha de Jesus que também era do “Cast”.
A Rádio Iracema até fez transmissões em tempo real com repórteres a bordo de aeronaves, como exemplo, a vinda de Raul Barbosa vindo do Rio de Janeiro para assumir o governo do Ceará e Ademar de Barros em campanha presidencial, transmitindo a Iracema “in loco” a primeira entrevista ao presidenciável. A outra foi a volta triunfal do Rio de Janeiro de Emilia Correia Lima, com o título de Miss Brasil 1955.
A crônica “Doa a quem doer” passou mais de quinze anos no ar, e quando foi encerrada em 1972, estava com narração de Nonato Albuquerque ao meio dia. Era o grito de protestos dos que não tinham vez e voz. O programa de entrevistas chamava-se “O Direito de Defesa”. Outros programas dos anos 50 eram: “O Comprador de Melodias”, “Assembléia Protestativa”, “Álbum de Brasileiros Ilustres” (uma dramatização dos textos escritos por Waldery Uchoa).
A RIF na Praça José de Alencar marcou época neste local, tanto pela popular localização como, pela programação de estúdio, a exemplo da “Discoteca do Fã” com José Lisboa e os de auditório que ficaram até 1972. Com a televisão tomando espaço, e na euforia das cores, os programas de auditório pelo rádio, saíram do ar para entrar na história.
A Emissora da Índia tinha uma programação bem eclética chegando várias vezes em primeiro lugar na audiência. Ao sair do Edifício Guarany no dia 16 de fevereiro de 1972, o estúdio da Rádio Iracema foi instalado no 12º andar do edifício Senador, localizado na Rua Senador Pompeu nº. 1087 (centro), e foram apagados os programas de auditório. Posteriormente o estúdio foi para a Avenida Barão de Studart nº. 1864; depois Rua Bárbara de Alencar ambos na Aldeota. A estação transmissora saiu do Bairro da Colônia em 1983, e foi montada na rodovia CE 004 km 06 (Estrada de Fortaleza - Maranguape), e parou de transmitir em ondas tropicais popularmente chamadas de ondas intermediárias.
Após a saída da Rádio Iracema do Edifício Guarany (belo cartão postal) o mesmo ficou sem serventia. Considerado pelos “modernistas” como “monstrengo”, após a Prefeitura Municipal de Fortaleza ter comprado o espaço visando unificar a priori as Praças José de Alencar com a da Lagoinha, o mesmo desapareceu. Em seu local é erguido o Shopping do Camelô popularmente conhecido como “Beco da Poeira”, nomenclatura herdada de um beco não urbanizado que ligava promiscuamente a Rua 24 de maio com a Avenida Tristão Gonçalves, porém com as obras da Estação Ferroviário do Metrô de Fortaleza, referido Shopping desapareceu.
A Rádio Iracema de Fortaleza, que já pertenceu ao ex-governador Adauto Bezerra, hoje é integrada ao Grupo do Empresarial Etevaldo Nogueira. Seu estúdio se encontra na Avenida Santos Dumont nº. 1687, e opera somente com ondas médias na mesma freqüência de 1.300 kHz com o prefixo de ZYH 586. Os seus horários estão arrendados à Igreja Pentecostal Deus é Amor.


















PROGRAMAÇÃO DA IRACEMA EM 1972
(Ultimo Ano no Edifício Guarany)

05.00 às 06.20 h: Alvorada Musical (Rodrigo Neto);
06.20 às 06.30 h: Eternidade em Minutos (Pastor Ely Theodoro Batista);
06.30 às 08.00 h: A Bronca é livre (Allan Neto);
08.00 às 09.00 h: Discoteca do Fã (Jalmir Monteiro);
09.00 às 10.00 h: Show da CBS (...); Solicito colaboração do Leitor
10.00 às 11.00 h: Manhã Musical (Carlos Branco);
11.00 às 11.15 h: Mistérios da Vida (Dr. Kardo Allikan);
11.15 às 12.00 h: Parada de Sucessos Odeon (Nonato Albuquerque e Ferrerinha
12.00 às 12.05 h: Crônica Doa a Quem Doer (Nonato Albuquerque);
12.05 às 14.00 h: Festival de Orquestras (Nonato Albuquerque);
14.00 às 15.00 h: Discoteca do Fã 2ª Edição (Jalmir Monteiro);
15.00 às 16.00 h: Som Jovem 40 Graus (Carlos Branco);
16.00 às 18.00 h: Show dos Populares (Nonato Albuquerque e Repórter Guarany)
18.00 às 19.00 h: Superlativo Programa do Allan (Allan Neto);
19.00 às 20.00 h: A Voz do Brasil;
20.00 às 22.00 h: A Hora é de Som (Edson Silva);
22.00 às 24.00 h:......solicito colaboração do Leitor....................
Obs. José Lisboa pouco antes de ir para a Rádio Assunção apresentar a Discoteca do Lisboa, comandou por muitos anos a Discoteca do Fã e o programa de auditório “Fim de Semana na Taba”.
Sonoplastas: José Dias Barbosa, Antonio Chaves de Assis, Francisco José de Almeida e o Geraldo Ceguim.
Direção Geral: Robinson Xavier, que depois fora substituído por Geraldo Fontenelle, onde havia feito profícua administração na Rádio Assunção Cearense..









PRIMEIRO OPERADOR DE TRANSMISSORES DA IRACEMA
Raimundo Osmar de Castro, natural de Jaguaribe, nasceu em 14 de março de 1924; foi oficialmente admitido na Rádio Iracema de Fortaleza S/A aos 11 de agosto de 1949, embora tenha sido o operador quando do anuncio “Está no ar a ZYR7 Rádio Iracema de Fortaleza, na freqüência de 1300 kHz”. Aos 20 de fevereiro de 1980, pela Delegacia Regional do Trabalho - CE foi reclassificado como Radialista Operador de Transmissor; afastou-se das atividades em 1 de setembro de 1982, por motivo de aposentadoria previdenciária. Faleceu em Fortaleza vítima de Acidente Vascular Cerebral – AVC, aos 21 de janeiro de 1984.

  



Inteiração:

Informações técnicas:
a) Transmissores: Principal:S/A Phillips do Brasil, modelo HOZ 20124/61
Potência: 10 kw, código 1177/67
Auxiliar: S/A Phillips do Brasil, modelo 2147/B
Potência: 1 kw, código 0457/81

b) 1 torre de 82 metros.
Tipo: Onidirecional (antiga monopolo vertical)
Sistema de terra: 120 radiais de 57,6 metros espaçadas de 3 em 3 graus;

c) Coordenadas: 03º, 49’, 10” Sul
38º, 36’, 40” Oeste











Ceará Rádio Clube


Após essas duas histórias que é a PRE-HISTÓRIA DO RÁDIO CEARENSE vamos falar da emissora que é tida como a pioneira, haja vista ser a mais antiga no ar. Você meu leitor amigo, sabia que a mesma coisa já havia acontecido com a fundação de Fortaleza, a capital do Ceará?
Quero abrir um parêntese a fim de dar um breve esclarecimento:
Objetivando criar uma feitoria na Índia (Ásia), e garantir domínio português, foi organizada por Portugal uma respeitável esquadra com 13 navios e 1.500 homens, sob o comando de Pedro Álvares Cabral e que, deveria respeitar o TRATADO DE TORDESILHAS assinado entre Portugal e a Espanha. Havia limites aos territórios que a partir de então fossem descobertos pelos dois países, onde fora estabelecido uma linha imaginária em que, 370 léguas ao oeste do arquipélago de Cabo Verde ficariam com a Espanha e a leste seria de Portugal.
A Europa tomou conhecimento da existência do Brasil, quando em 2 de janeiro de 1500, o olhar pioneiro do navegador espanhol Vicente Ianez de Pinzon captou as dunas do que seria o Siará Grande, porém, devido ao tratado de 1494, a descoberta oficial devia ser dos portugueses, coisa que só aconteceria na Bahia aos 22 de abril de 1500. Pedro Álvares Cabral que, não era bom navegador, mas, era Cavaleiro da Ordem de Cristo comandava a esquadra portuguesa, que além da missão de estabelecer uma rota comercial com a Índia, ele deveria no caminho desviar-se para a direita no oceano atlântico, e foi quando chegou ao litoral do Novo Mundo.
A principio as novas terras não despertaram muito interesse, porém, para garantir aos portugueses a posse da terra diante da ameaça representada pela presença dos navios estrangeiros, a partir de 1530 foi resolvida a colonização do Novo Mundo, através de um Governador Geral e a criação das capitanias hereditárias, cuja do Ceará, foi entregue ao donatário Antonio Cardoso de Barros que, nem chegou a tomar posse.
Naquele momento, a coroa portuguesa estava concentrada nas riquezas asiáticas e africanas, porém, no litoral descoberto, a presença do Pau-brasil da qual se extraia tintura para tecidos, oferecia uma das poucas possibilidades de exploração econômica para os comerciantes portugueses. Portugal logo estabeleceria o monopólio real sobre essa riqueza e, arrendou o direito de exploração a um grupo de comerciantes portugueses, liderado por Fernando de Noronha. Nasceu assim o bonito nome BRASIL, a terra mais rica do mundo.
Como pesquisador curioso, quero Através deste opúsculo revelar um erro que, se comete com a nossa história. Cristóvão Colombo (italiano de Gênova) saiu e no caminho com um maremoto não sabia mais para onde ia; quando chegou não sabia onde estava e, quando voltou não soube onde esteve. Estando na América em outubro de 1492 pensou estar na Índia. Assim os verdadeiros nativos americanos, erroneamente foram chamados de índios.
Voltemos ao Vicente Pinzon. Tomás Pompeu Sobrinho e outros historiadores renomados afirmaram ser: “O Cabo de Santa Maria de La Consolacion, o Rostro Hermoso era a Ponta Grossa ou, Jabarana no Município de Aracati”. Já o historiador Francisco Adolfo de Varnhagem defende que, o local visitado pelos espanhóis era a ponta do Macorie, nome este encontrado no mapa das capitanias hereditárias em 1574. Posteriormente a nomenclatura Macorie sofreu modificações terminando em Mocoripe – Mucuripe. José de Alencar, o romancista diz que, essa palavra vem de Corib “Alegrar” e Mo vem do verbo Monhang, tornando o ativo passivo. Talvez Alencar referiu-se aos morros, por ter causado alegria aos navegantes. Alencar concordou com os estudos, ratificando as conclusões de Adolfo Varnhagem.
Em 1603, Pero Coelho de Souza, português natural de Açores, munido da bandeira de Capitão-mor, chegando ao Ceará, não conseguiu se instalar no Rostro Hermoso tendo em vista, os nativos oferecerem resistência. Os habitantes primitivos da provável ponta do Mucuripe, aos poucos foram sendo dominado pelos invasores e, com a imposição da cultura lusa, esse povoado foi se adaptando à civilização, porém, por amor aos morros, ao navegável riacho Maceió e a calma oferecida pelo iodado vento leste, preferiram viver isoladamente, tendo a Caça e Pesca como produtos de consumo e exportação.
Aos 20 de janeiro de 1612, Martins Soares Moreno nas margens do Rio Siará, (Barra do Ceará), fundou o Forte São Sebastião, mas a cidade só se expandiu com o estabelecimento da ocupação holandesa, que levou Matias Beck a construir na margem esquerda do Rio Pajeú, no monte Marajaituba (próximo a onde seria a Santa Casa e Passeio Público) um Forte que, recebeu o nome de Schoonemborch, como homenagem ao holandês Governador de Pernambuco.
Aos 13 de abril de 1726, por ordem Régia foi instalada pelo Capitão-mor Manuel Francês a “Vila da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção” do Siará Grande e, assim começou a crescer a “Loura de Sol e Branca dos Luares”, embora eu concorde com o historiador Raimundo Girão que, a data seja 10 de abril de 1649, com o erguimento do Forte. Esse mais de meio século excluído, já foi motivo de polêmicas política a e religiosa, pois, a Coroa portuguesa não admitia Fortaleza ser fundada por Matias Beck, que era holandês e Protestante (Calvinista). Com a expulsão dos holandeses em 1654, no local do Forte Schoonemborch, foi construído a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, que dá nome a Cidade.
Seja como for, é notório o engano de se comemorar a festa de Fortaleza, por um ato da Corte, e não porque a cidade nasceu.
Retornemos, portanto ao Rádio que nosso assunto.
Interessado por assuntos de radiotelefonia, embora só com conhecimentos de experiências anteriores, João Dummar aos 28 de agosto de 1931, resolveu fundar o “Ceará Rádio Clube” (designação era masculina). Tratava-se de uma sociedade civil, para agregar os amadores da “Rádio-telefonia” cujo objetivo seria: promover relações entre os próprios amadores por meio de reuniões, irradiações e serviço de publicidade. Com equipamentos de transmissão da marca “Phillips”, tinha a estação onda longa devidamente autorizada pelo Governo e, onde os programas seriam irradiados com atrações de interesse geral. Recebendo o prefixo de “PRAT”, a emissora obteve licença para transmissões em 1932. A organização era presidida Francisco Riquet e secretariada por Silvio de Castro, embora de inicio o Clube historicamente já viesse enfrentando dificuldades.


A aparelhagem foi adquirida na Phillips do Brasil pelos irmãos Dummar, onde se organizaram em sociedade, para cumprirem as exigências do regulamento que regia a exploração de divulgação em “broadcasting”. A Phillips ao fornecer o transmissor enviou um técnico para efetuar a montagem e as experiências preliminares.
Não fora de inicio que se conseguira fazer funcionar a estação, ocorrendo fracassos. Ficou cerca de cinco meses, uma aparelhagem em completa inutilidade e mais uma vez o povo cearense manteve ansiedade em ouvir uma estação de rádio.
Por outro lado, os Dummar foram sacrificados com os negócios de rádio, devido o grande estoque de aparelhos “Philco” importados e impossibilitados de vendê-los. Era uma situação de vexame e prejuízos comerciais.
O transmissor era um equipamento simples, pequeno e de tamanho descomunal para impressionar certamente o leigo. Tudo que compunha os seus 500 watts (½ kilo watts) estava em perfeitas condições.
A antena apesar de precária, e rusticamente instalada como irradiante, poderia receber perfeitamente a sua carga.
O último exame foi na fonte de alimentação. Na época ainda não existiam os sistema de retificadores e válvulas para o suprimento de alta tensão. João Bezerra era o mais competente técnico de motores e geradores da época. Com apenas 160 volts e sem prejudicar a potência do transmissor, a sintonia foi retocada. As válvulas se comportaram perfeitamente. Foi anunciada por Antony Santiago e João Bezerra à diretoria que, a estação entraria no ar.


Tudo correu bem. Os Libaneses Dummar felizmente colocaram a PRAT no ar fato ocorrido aos 21 de julho de 1933, quando realizaram a instalação do Ceará Rádio Clube, na Rua Major Facundo nº 133 (Altos da Casa Misiana). Sob a vista de competidores, iniciaram a programação preparada. Em poucos minutos os telefones anunciaram a pureza e o volume das emissões. Caetano de Vasconcelos foi o primeiro locutor que operou no Ceará, e as irradiações se prolongaram até as 22 horas.
No próximo 21 de setembro (dois meses após) em passagem com comitiva pelo Ceará, o então Presidente da República Getúlio Vargas e, o General Góis Monteiro inauguraria oficialmente a emissora. À título precário fora autorizada a irradiar na onda de 330 metros com um transmissor de 500 watts e antena de dois mastros.
Posteriormente o estúdio foi transferido para a Rua Barão do Rio Branco nº 1172 e, com licenciamento definitivo aos 30 de maio de 1934 pela portaria 415, saiu a escritura com a Constituição definitiva da Ceará Rádio Clube S.A. O seu prefixo de PRAT é trocado por PRE-9.
A Ceará Rádio Clube instalou seus transmissores no Bairro das Damas e começou a manifestação de Broadcasting, quando a nomenclatura passou a ser feminina (deixou de ser um clube para ser uma emissora).
Em 1936, a empresa radiofônica promoveu o primeiro concurso para locutor, causando curiosidade no seio do público. A primeira geração de radialistas da CRC era composta de: Caetano Vasconcelos, José Júlio Cavalcante, José Cabral de Araújo, Raimundo Menezes, José Lima Verde Sobrinho, Luzanira Cabral, Silva Filho dentre outros.
Aos 28 de julho de 1937, os estúdios da Ceará Rádio Clube são instalados no mesmo local da Estação Transmissora (Damas), passando a operar na freqüência de 1.320 quilociclos com potencia de 2.000 Watts na antena, enviada por um equipamento Marconi. Pra abrilhantar a festa, foi convidado e recepcionado no Aeroporto que era na Barra do Ceará, o cantor Chico Alves, o “Rei da voz”.













A programação era um tanto fechada, pois quando o rádio fora adquirindo seu espaço, veio a ditadura Vargas o que limitou concessões e inserções; o povo não ouvia o que queria, porém marcou época José Lima Verde Sobrinho, com o programa “Coisas que o Tempo Levou” a Hora da Saudade. Depois foi substituído por Com o advento da segunda Grande Guerra, coincidência ou não, a direção da PRE-9 solicitou ao Governo autorização para operar em ondas curtas possibilitando, a Ceará Rádio Clube emitir sua programação ao Exterior, coisa que aconteceria em 29 de abril de 1941. As implicações técnicas do novo equipamento transmissor fizeram com que, a PRE-9 depois mudasse seus estúdios das Damas para, o oitavo e nono andares do Edifício Diogo no Centro de Fortaleza, e assim inaugurar o seu transmissor de ondas curtas no dia das crianças do mesmo 1941. Paulo Cabral de Araújo com o entusiasmo que lhe é próprio saudou a todos os ouvintes do Brasil e do mundo, na freqüência de 15.165 kCs. O transmissor foi registrado como: ZYN 6 de 49 metros. . O ZYN7 de 6.105 kCs, 19 metros só chegaria quando, a emissora foi para o edifício Pajeú como ainda leremos. No auditório a festa contou desta feita com o “Cantor das Multidões”, Orlando Silva.
O rádio, em seus anos de ouro era um verdadeiro assistente social. Servia até de refúgio nas horas vagas. Na hora do almoço fora criado no Edifício Diogo, um programa de auditório chamado “A Hora do Comerciário”, afim de que ao meio dia os trabalhadores das lojas não ficassem ociosos. A tarde tinha com João Ramos “Vesperal das Moças” outro programa de época.
Os anos 40 foram de renovações em que, a Ceará Rádio Clube foi substituindo gradativamente a antiga geração de locutores. Emergiram Paulo Cabral de Araújo, Aderson Braz, Mozart Marinho, Eduardo Campos, João Ramos, Edson Martins, seguindo-se depois com Narcélio Lima verde, Augusto Borges, Wilson Machado, Cândido Colares etc. O produtor artístico era Guilherme Neto e o discotecário Gerardo Barbosa Lima.
Aos 11 de janeiro de 1944, a Ceará Rádio Clube foi vendida para o Jornalista Assis Chateaubriand, passando a integrar a grande cadeia dos “Diários Associados”. Nas mãos desse empresário e jornalista paraibano, os trabalhos de melhoria nos serviços de comunicação continuaram.
Aderson Braz aproveitou a inspiração de José Lima verde que, intercaladamente lia notícias do jornal “Unitário” que era matutino, pois, os jornais circulavam à tarde. Após ouvir a direção da Rádio Clube, com sua experiência de locutor noticiarista que, trouxe na bagagem vindo do Centro Regional de Publicidade (Serviço de Auto Falante de Juazeiro do Norte - CE), criou o famoso “Matutino PRE9” que ficou no ar religiosamente de segunda a sábado, das 6.30 as 7.00 h por quase trinta anos. Aderson fez dupla com Mozart Marinho e Cândido Colares.
Em 13 de maio de 1949, o estúdio da PRE-9 saiu do Edifício Diogo e foi instalado nos primeiro e segundo andares do Edifício Pajeú, cita-se à Rua Sena Madureira nº 1047. (hoje é a sede do Tribunal de Contas do Estado). A Ceará Rádio Clube, com as novas instalações ocupou dois pavimentos no mais moderno (à época) edifício de Fortaleza, “O Pajeú”. Reservou o primeiro andar para o auditório, que contava com cerca de 500 poltronas, construído segundo todos os requisitos da técnica: ótima acústica, nenhuma ressonância. O segundo pavimento foi destinado à contabilidade, propaganda, direção geral, superintendência, redação, ensaios e, finalmente, discoteca, que contava com mais de 13 mil discos (todos os gêneros), com material absolutamente novo, tudo RCA. tinha 3 estúdios, com 5 microfones.
A inauguração das novas instalações da Ceará Rádio Clube foi um acontecimento marcante para o rádio brasileiro, dadas as características expostas. Esse brilhantismo reuniu, no auditório, o Desembargador Faustino de Albuquerque e Souza, Governador do Ceará, D. António de Almeida Lustosa, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, o Dr. João Daudt d’Oliveira, Presidente da Confederação Nacional do Comércio, além do Dr. João Calmon, Superintendente dos Associados no Norte do país, e o Dr. Paulo Cabral, Diretor - geral da PRE-9.



A Ceará Rádio Clube tinha uma excelente equipe de radioatores, que fazia o teatro da mente. Laura santos, Maria José Braz, João de Medeiros Ramos, Antonio Mendes (Toinho) eram alguns que, compunha o casting. João ramos em 1955 foi o melhor do Ceará.
O rádio sempre foi um serviço público. Tinha cartazes do sul e de artistas locais. Era uma emissora como já dito, que tinha também ondas curtas que no Brasil era em numero de sete, e isso permitia alcance e correspondência. O volume de publicidade da Ceará Rádio Clube tinha uma ascensão fabulosa onde o faturamento era de Cr$ 1.600.503,00 no balanço 44/45 para Cr$ 3.896.497,70 no balanço 48/49.
No âmbito social a PRE-9 criava suas campanhas. Mais de 1 milhão de cruzeiros fora conseguido numa campanha de 2 semanas em prol da Santa Casa de Misericórdia.
Em atendimento ao seu programa de prestação de serviços, foi criado o Natal dos Lázaros e o Clube Papai Noel. Dava assistência ao leprosário de Canafístula (Antonio Diogo), onde Silvo caldas com sua voz inimitável alegrava os pacientes. O radialista Paulo Cabral, seu diretor, recebeu do povo de Fortaleza como gratidão, o comando da Prefeitura na eleição de 1950.
A Ceará Rádio Clube era uma das cinco emissoras brasileiras mais bem instaladas, e tinha três freqüências própria, irradiava com 250, 49 e 19 metros. Dois equipamentos eram RCA Victor e um Marconi. Com as novas instalações da PRE-9, a mesma fora inserida entre as cinco mais bem cuidadas e, modernas instalações de emissoras existentes no Brasil.
Para entretenimento existiam vários programas de auditório dentre os quis se destacaram: “Noturno Pajeú”, “Divertimentos em Seqüência”, “O Céu é o Limite”, “Festa na Caiçara”...
Em 1960 a Ceará Rádio Clube se muda para a Avenida Antonio Sales, ficando ao lado da primeira e já extinta estação de TV do Estado: “TV Ceará Canal 2”, que era do mesmo grupo dos “Diários Associados”, porém em julho de 1980, ocorrera no Ceará a degringolagem dos Associados no Ceará. A PRE9 deixou de transmitir em ondas curtas. O Ceará perdeu sua primeira emissora de televisão, e junto no mesmo pacote deixou de circular os jornais “Correio do Ceará” e o “Unitário”. A Ceará Rádio Clube ficou sozinha e para arcar, com as despesas deixadas pela degringolada.



A Ceará Radio Clube em 1980 retirou seus estúdios da Rua Oswaldo Cruz e foi para Av. Senador Virgílio Távora nº 2279 e, os transmissores saiu da Avenida dos Expedicionários (antigo Tauape) e foi para a margem do Km 19 da Via Férrea de Baturité, em Pajuçara.
Hoje operando na freqüência de 1200 quilohertz, e com prefixo ZYH 585, a CRC a emissora mais antiga no ar, está com os transmissores no anel viário “Parque Novo Mondubim”, Maracanaú - CE, e com o nome de “Rádio Clube”. Desde julho de 2008 passou a retransmitir a programação “Da Cadeia de Emissoras Associadas”.

 



















Alguns Radialistas que Atuaram Veementemente nos Microfones da PRE9















Jamais poderia esquecer-se de colocar a Imagem do Homem
Que ensinou Assis Lima a trabalhar em microfone














A Rádio Educadora Cearense - Outro Registro Quase Perdido

O Brasil havia experimentado o funcionamento do Rádio por ocasião da festa do centenário da independência quando, aos 7 de setembro de 1922 foi instalado no Corcovado, Rio de Janeiro, um equipamento transmissor e vários receptores em locais estratégicos da então Capital da República. Isso motivou o Sr. Edgar Roquette Pinto a fazer funcionar um ano depois a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, embora devamos fazer justiça ao estado de Pernambuco quando em Recife a sua “Rádio Clube” foi ao ar em 1919. No Ceará, apesar da euforia de 1924 com a beleza teórica e pouca aplicabilidade prática do “Rádio Clube Cearense” que de modo efêmero funcionou no prédio do Distrito Telegráfico (Fênix Caixeiral), Fortaleza ainda saboreou desta experiência.
Coincidência ou não, a segunda tentativa em Radiotelefonia cearense nasceu juntamente com o Jornal O Povo, com diferença apenas de dias. Em 1 de janeiro de 1928 O Céu da Fortaleza Antiga Foi novamente cortado pelas ondas hertzianas da “Rádio Educadora Cearense”. Aos 12 de janeiro de 1928, o Jornal O Povo em sua edição nº 6, traz a seguinte nota: “Esta nova sociedade de Rádio, ciosa de seus deveres de educar o povo de nossa terra, está promovendo um concurso que sobre os aspectos, é merecedor dos aplausos do público e dentro de pouco tempo saberemos qual o melhor Rádio telegrafista...”.
A sede da Rádio Educadora Cearense localizava-se na Rua General Sampaio nº 118, no local onde depois funcionaria o Instituto de Previdência do Município-IPM, esquina com a Rua Meton de Alencar, na Praça Clovis Beviláqua, que já foi “Praça da Bandeira” e na época se chamava “Visconde de Pelotas”.
Por todo o mês de janeiro (1928) e, durante os dias úteis de 19.00 até 21.00 h, ficaram abertas na sede da emissora, as propostas de matrículas aos interessados em fazerem o concurso para fi- carem aptos, ao manuseio dos equipamentos da Rádio-Telegrafia. Essa estação radiofônica foi se impondo no conceito público pela suaprogramação e pelas suas altruísticas atitudes.
O jornal “O Povo”, com menos de um mês de existência, já acompanhava todos os acontecimentos da cidade e publicou na edição de 23 de janeiro os nomes dos componentes da R.E.C. “Presidente: Dr. José Odorico de Moraes; Vice-presidente: Luiz Espíndola; 1º Secretário: Achiles Arraes; 2º Secretário: Pierre Pereira da Luz (Locutor); Adjunto tesoureiro: Antonio D'Oliveira Braum; Diretores fiscais: Flósculo Barreto, Benjamim Falcão e Oswaldo Fernandes”. Nessa mesma nota, o noticioso de Demócrito Rocha diz que o Sr. Antonio de Alencar Santiago (telegrafista), ficava como responsável pela a direção da Rádio, quando ausentes os diretores.
Naquela época era difícil se conseguir concessão do Governo para o serviço de comunicação, tanto pela dificuldade da aquisição dos equipamentos, o quanto pela a liberdade de expressão que era vigiada, talvez seqüelas deixadas pela “coluna prestes”.
Fortaleza assim sintonizava sua programação, mas ainda sem qualidade a gosto do ouvinte. Tinha o boletim informativo, músicas selecionadas. Nos fins de semana eram transmitidas para a elite (os receptores eram caríssimos) as partidas de futebol, de onde o poeta Pierre Luz, da janela do estúdio narrava os acontecimentos no campo, local este onde depois construíram a Faculdade de direito da UFC, afinal o Estádio do Prado só seria inaugurado em 1941.
A vida dessa emissora também foi curta, pois quando João Dummar criou “O Ceará Rádio Clube” a Rádio Educadora Cearense já havia saído do ar.
Teria sido a Revolução de 1930? Descubram os entendidos.